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A semear Cursos há 39 Anos

ARTIGOS

As partes do todo, os 4 Pilares

A visão holística da vida tem sido um dos pontos que me fascina no percurso desenvolvido na área da « Macrobiótica.

Sendo a Macrobiótica um estilo de vida, sendo este estilo de vida uma via para o auto-conhecimento, é inevitável não questionarmos as escolhas que fazemos, as decisões que tomamos, procurando entender o que nos rodeia.

Na área da saúde e bem-estar, muito se fala da alimentação saudável, do exercício físico e, cada vez mais, da importância do sono.

Para mim, estas áreas não podem ser dissociadas umas das outras. Funcionam como um todo e são pilares fundamentais para o crescimento, desenvolvimento e saúde, de cada um.

Contudo, ao longo destes anos, depois de vários projectos, workshops, de consultas de aconselhamento, parcerias, convívios e conversas, entre família e amigos, e da minha própria auto-análise, há uma área que é quase nula na vida, no quotidiano, em geral: o Lazer.

Assim, na minha visão, numa perspectiva holística, para o bem-estar físico, mental e espiritual, devíamos ter em conta 4 áreas, segundo a condição, a constituição, individuais. São elas: alimentação consciente; exercício/actividade física, moderado e variado; sono reparador, durante a noite; lazer, sozinho e acompanhado.

Na alimentação encontramos a nossa fonte nutricional que se transforma em energia e combustível, para o corpo.

A ideia das dietas milagrosas ainda é muito presente nos dias de hoje, mas a visão holística da Macrobiótica vai além disso. É uma visão muito mais simples e descomplicada. É abraçar o que nos faz bem, de forma descontraída, natural, a partir da origem do alimento – consoante a nossa condição e localização geográfica.

Quanto ao exercício/actividade física, é uma forma de aplicar movimento, acção e bem-estar ao corpo. A libertação de hormonas, a transformação na mente e a resposta do corpo trazem uma sensação de bem-estar! Sentimos uma conexão interior. É um compromisso muito compensador e satisfatório.

O sono é uma área desafiante e um conceito que varia muito consoante as pessoas. Consoante o passado, as vivências. A maioria das pessoas aceita que, ter insónias frequentes, sonambulismo ou acordar várias vezes à noite, entre muitos outros sintomas, é normal. Hoje em dia, estudar o próprio sono devia ser imperativo, na nossa sociedade. É conhecermo-nos um pouco melhor.

A questão do sono é transversal a qualquer idade. Dormir e sentir que o sono é reparador é conhecermo-nos profundamente. Durante o sono o nosso organismo regenera, limpa e centra a sua energia toda num processo fascinante! Precisamos de estar em sossego, calmos, sem despender energia física, em ambiente escuro, para que estes processos se desenvolvam e aconteçam. É um completar de um ciclo; é uma passagem essencial para o bem-estar físico e mental.

Teresa Paiva é uma referência nesta área. O último livro editado chama-se “O meu sono e eu”. Vale a pena ler.

E por último, mas não menos importante – Lazer. Um verbo tão simples e tão esquecido!

Das 4 áreas é aquela que fica em último plano, que não tem um momento certo para acontecer. Vive-se muito assoberbado com o dia-a-dia. Vive-se, achando que não há tempo para parar. E parar torna-se um fardo e traz peso na consciência. Contudo, saber parar, estar só ou acompanhado; fazer-se algo de que se gosta, longe das tecnologias, aliviando a mente; saber quando é importante estar sem fazer nada; sem necessidade de preencher um vazio; estar  presente; é investir tempo e espaço para se Ser.

Segundo o sociólogo Joffre Dumazedier, lazer tem 3 funções associadas: descanso, divertimento e desenvolvimento pessoal.

O que parece simples, ter tempo para o lazer, é extremamente difícil. Mais difícil ainda é aceitar que tem de fazer parte da vida, que tem de ser uma prioridade! Tem de ser um compromisso pessoal!

Assim, depois da minha partilha, proponho um desafio: numa folha em branco, ao centro, escrevem EU – com firmeza e convicção!

Deste EU partem 4 braços, e escrevem as áreas aqui referidas.

De seguida vão avaliar e reflectir sobre cada uma.

A parte mais difícil: a introspecção, o confronto pessoal.

O bom é saber que nada é estático. Tudo pode ser adaptado, alterado, de forma gradual, ao ritmo de cada um. O importante é que as 4 áreas ganhem voz e força, individualmente, nas vossas vidas.

Permitam-se a ganhar espaço para o que é realmente importante na vida, no dia-a-dia. Não há pressa, perfeição, há apenas consciência e discernimento. O importante é a reflexão para o auto-conhecimento – vermo-nos de dentro para fora – para que, de forma equilibrada, descomplicada e harmoniosa, se possa abraçar a vida de forma holística!

Crónica Ana Reis

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