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ARTIGOS

O Lazer e o Sono 

Artigo 5 – Novembro

Dando continuidade ao artigo anterior, e de forma a “fechar” este tema dos 4 pilares, hoje partilho sobre Lazer e Sono.

Lazer, vem do latim licereser lícitoser permitido – momento de descanso, divertimento, entretenimento, ócio… A forma como se escolhe viver depende sempre do valor e da importância dada a cada um destes pilares, onde o lazer deverá ser, também, uma prioridade. O lazer é uma área valorizada mas apenas em vontade. Ir além da vontade é saber usar o descanso, o divertimento, o ócio, o entretenimento, o relaxar, o não fazer nada, a nosso favor, adaptando-o às rotinas individuais.

Lazer não pode ser transformado em momento de culpa! Lazer não significa não ser produtivo! Lazer é um pilar muito importante no aumento da qualidade de vida de cada indivíduo. Relaxar, entreter, não fazer nada, descansar, apenas estar/ser, são verbos, transformados em acções, que se tornam factores, com muitos benefícios. Por isso, o corpo, o organismo, vai aproveitar esses momentos de lazer para melhorar o funcionamento, o desempenho e o crescimento, interior.

Para dar espaço na agenda ao lazer há que entender que existe um período de vigília e outro de sono. Na fase de vigília, enquanto se está desperto, não é natural estar sempre alerta, pois o nosso organismo tem várias hormonas que funcionam consoante as nossas necessidades de: atenção, concentração, alimentação, exercício físico, descanso, ócio, lazer, etc – que diferem ao longo do dia – e cabe-nos, a nós, conhecer e entender como os ciclos funcionam e se regulam para nos conectarmos com eles. O sistema nervoso autónomo, com um papel muito importante ao comando do nosso organismo, é composto por uma rede de neurotransmissores – que evoluíram, que se adaptaram, ao longo de milénios – composto por 2 partes: o sistema simpático (associado à resposta/necessidade de luta, fuga, para sobreviver ) e o parassimpático (associado à resposta do organismo a situações de calma, saciedade, repouso e digestão ou ao relaxamento, descontração, descanso). Se estivermos constantemente em alerta, sob stress, com preocupação; se estivermos focados apenas no fazer; dar resposta rápida com os níveis de atenção no auge, prontos para entrar em acção, para agir, com a sensação de piloto automático; a produção de cortisol (uma das principais hormonas que activam a resposta ao stress – que opera no sistema simpático) fica desregulada. Isto é, são excedidas as quantidades de cortisol necessárias. O que o organismo interpreta é que está a ser atacado; é necessário preparar a fuga! Toda esta informação, que chega ao nosso cérebro, e se reflecte em todos os órgãos, tecidos, fáscias, articulações, músculos, ossos…destabiliza, desequilibra, um sistema muito bem estruturado, o que compromete, entre outras funções, a produção de outras hormonas e, por consequência, o bom funcionamento do organismo.

Assim, aqui fica a sugestão:
> Tirar “apenas” 15 minutos, por dia, para Lazer. Não vale apenas ter “a intenção de”,
> Marcar, hora e data, na agenda.
Assumir o Lazer como um compromisso sério. Sem sentimento de culpa, sem sentimento de vergonha ou sensação de não produtividade.

Vamos trazer o Lazer ao de cima!
Fazê-lo por nós, pelo respeito próprio, e pelo respeito ao próximo! Vamos a isso?

Agora passamos à outra fase do dia, o nocturno – momento do sono.
O sono. Uma área muito interessante, com tanto para dizer. Uma área subvalorizada e que se associa, muitas vezes, à preguiça. Eu diria que, pela importância, pela qualidade de saúde e valor inestimável que o sono tem na vida, este seria a base para que os anteriores pilares (Alimentação, Exercício Físico e Lazer) funcionem de forma mais equilibrada, harmoniosa e consciente. Contudo, os 4 pilares estão interligados e complementam-se mutuamente.

Assim se, por um lado, com bons hábitos de sono, aumenta o foco, a capacidade de decisão, de concentração, a necessidade em se manter activo; por outro lado, diminui, por exemplo, a vontade em consumir açúcar, alimentos processados, o que traz mais vitalidade interior. Está-se mais desperto e disponível para criar uma série de ciclos e hábitos saudáveis, mais coerentes e que se interligam e conectam, naturalmente, entre eles.

Um sono regular, saudável e adaptado às necessidades de cada um, traz mais ânimo e bem-estar, à vida.

A qualidade do sono não tem haver  com a quantidade de horas que “se dorme” ou se “está deitado” durante a noite. A qualidade do sono também se ganha pela forma como se acorda: revigorado?; a hora a que se acorda: à mesma hora, sem despertador? (a relação do interior com o exterior – ritmo biológico intrínseco); a forma como se adormece – adormecer ao fim de 30 minutos, naturalmente, sem a ajuda, nomeadamente, de ecrãs/tecnologias?

Há uma frase de que gosto muito, dita por Allan Rechtschaffen, Professor, Investigador e Director do Laboratório do Sono da Universidade de Chicago: “Se o sono não serve uma função absolutamente vital, então trata-se do maior erro que o processo evolutivo alguma vez cometeu.” Em Portugal, também existe o notável trabalho – de estudo e de investigação – da Médica Neurologista Teresa Paiva, dedicando-se, ao longo de muitos anos, a este mundo do sono.

O último livro “O meu sono e eu”, da Dra Teresa Paiva (entre outros que já escreveu), é muito interessante e muito prático. De leitura fácil, permite entendermos um pouco mais sobre o sono, a forma como lidamos com ele e…conhecer o nosso sono é conhecermo-nos melhor! Há muito mais a dizer sobre o sono, contudo, quero só acrescentar que sono não significa desperdiçar tempo mas sim investir tempo na saúde!

E como acrescenta a Dra Teresa Paiva no seu livro, “O meu Sono e eu”:

“O sono é tão perfeito, que não se deixa controlar. Ainda bem! Se deixasse, controlávamo-lo com um interruptor de ligar e desligar e já lhe teríamos feito o que fizemos ao nosso planeta. Estaria tudo estragado! Se o permitir, a cada noite, o seu sono fará magia do ADORMECER, do DORMIR e do ACORDAR, tendo feito por si, pelo seu corpo e pelo seu espírito muito mais do que pode imaginar. Uma bênção. Não a estrague!”

Fazer uma auto-avaliação de “Como são as minhas noites de sono?” permite uma visão real e crítica da relação individual com o sono. Depois do Lazer responda às perguntas (já referidas em cima):
> Acordo revigorado?
> Deito-me sempre à mesma hora? (Não sendo todos os dias, em que dias consigo ser mais consistente?)
> Adormeço naturalmente?

Lazer e Sono são temas que devem ser abordados de forma natural, em casa, na escola, no trabalho, entre família e amigos.

Sugiro, para finalizar, voltar a avaliar cada um dos Pilares: Alimentação, Exercício-Físico, Lazer e Sono. Analisem o que mudou – desde o primeiro artigo onde abordei estas áreas e vos desafiei para alguns exercícios.

Trazer estes temas para debater, conversar e partilhar, é muito importante para uma sociedade mais atenta, conectada, equilibrada e informada!

Crónica Ana Reis

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